Cavalo-Alado de Garcia
Chico da Silva em entrevista a Luis Ernesto Kaval, em 1972, disse: "Os grandes mestres tiveram alunos e ensinaram, por que eu não haveria de ensinar também?" Através destas palavras entende-se que Chico se reconhecia como um grande mestre. O passar do tempo parece comprovar as palavras do pintor. Mesmo depois de tantos anos de seu falecimento, a sua obra continua despertando interesse e admiração em quantos põe os olhos sobre ela. Despertou-se também a significação e importância das obras dos pintores que seguiram o seu modo de pintar e, com o passar do tempo, tornam-se cada vez mais claras as individualidades de cada um dos pintores que se envolveram com esse fenômeno que foi ou é a Escola do Pirambu.
David Silberstein, cientista político da Universidade de Vale - EEUU, foi quem melhor compreendeu o universo de Chico e da Escola, quando, comentando os artistas do Pirambu, afirma: "Baseados da pintura primitiva de Francisco Domingos da Silva (Chico da Silva) os trabalhos dos artistas do Pirambu são interpretações decorativas e populares de criaturas de vida real ou mítica que surgiram da, às vezes brincalhona, às vezes atormentada imaginação de seu criador, que passou a infância em algum lugar da bacia do Rio Amazonas do Brasil. As cenas configuradas nessas pinturas misturam elementos tanto da natureza mítica e humana do Amazonas, como também, incorporam elementos tirados de outras partes do Brasil, especialmente do Nordeste". E conclui: " A luta pela sobrevivência é um tema constante e presente. Os sentimentos dos pintores sobre essa luta são frequentemente veiculados com vigor, sutileza, ou até, confusamente, na maneira que usam a cor, na qual ás vezes podemos sentir o élan, ao mesmo tempo amedrontado e excitado, que vem por estar preso em mudanças. Pintar se constitui para Chico da Silva e os pintores do Pirambu num meio e uma linguagem com a qual se engajaram na luta".
Cavalo-Alado de Garcia





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